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Fintechs Sociais

Demandas de natureza social, incluída a dificuldade do pequeno consumidor na hora de negociar com grandes empresas de bens e serviços, não faltam no país. Mas os problemas vividos por milhões de pessoas situados pelas estatísticas na parte de baixo da pirâmide socioeconômica também criam oportunidades para quem busca solucioná-los ou, pelo menos, minimizá-los. É o caso dos empreendedores das chamadas fintechs sociais – pequenas empresas que, à base de tecnologia e propostas inovadoras, vêm dando forma a um nicho de negócios que têm como objetivo melhorar as condições de vida das pessoas.

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Fintechs Sociais

Uma das fintechs dedicadas ao atendimento de necessidades sociais é a Firgun, de São Paulo, que capta aportes de pequenos investidores para o financiamento de microempreendedores de baixa renda, incluindo refugiados e outros imigrantes. Um dos inspiradores da iniciativa, lançada em maio de 2018, foi o economista Muhammad Yunus, de Bangladesh, pai do microcrédito para pessoas em situação de vulnerabilidade social e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006. Via internet, a Firgun já captou quase R$ 400 mil, em 1,6 mil operações de investimentos, que resultaram em empréstimos aplicados em 56 empreendimentos.

“Acreditamos que podemos ajudar no combate à desigualdade social no Brasil, melhorando o acesso aos serviços financeiros para as camadas mais pobres da população”, afirma um dos criadores da fintech, Lemuel Simis, que lamenta a dificuldade de expansão do microcrédito no país. Embora a maioria dos microempreendedores tenha interesse em empréstimos para alavancar seus negócios, eles esbarram em juros altos, burocracia excessiva e barreiras sociais. “Procuramos promover o acesso ao crédito de forma coerente com a realidade dessas pessoas empobrecidas”, informa.

Lemuel e um sócio criaram a Firgun com investimento inicial de R$ 30 mil, mas receberam aporte de R$ 175 mil do fundo Superjob, que aposta em startups de potencial. Com 1,3 mil investidores sociais cadastrados e 350 ativos, a fintech seleciona microempreendimentos com perspectivas de crescimento e melhoria de vida dos participantes, lançando campanhas de captação para empréstimos em condições compatíveis com a capacidade de pagamento dos empreendedores. Os valores variam de R$ 3 mil a R$ 21 mil, pagos de dez a 36 parcelas, com juro anual de 6% a 12%, repassado aos investidores.

A remuneração da fintech provém da taxa de administração de até 14% do valor dos financiamentos, descontada quando cada microempreendedor retira o dinheiro. Com cinco participantes, dividindo escritório com outras startups apoiadas pela Superjob, no bairro de Pinheiros, a Firgun faz cinco operações mensais de crédito e ainda não atingiu o “ponto de equilíbrio”, conta Lemuel, que prevê alcançar esse patamar de viabilidade em 2022, com 30 operações mensais. Para chegar lá, a empresa acaba de captar R$ 210 mil para investir na plataforma de serviços e prepara novo aporte de recursos para o segundo semestre.

‘TINDER DOS BOLETOS’

Outra startup social é a Parcela Mais Baixa, que tem como objetivo ajudar consumidores a reduzir suas contas em 23 modalidades de serviços, como telefonia, planos de saúde, seguro e operações bancárias. Uma espécie de “Tinder dos boletos”, lançada em janeiro, após dez meses de testes, a fintech acolhe em sua plataforma na internet demandas de usuários insatisfeitos com a cobrança por serviços utilizados, para que as prestadoras ou concorrentes apresentem propostas mais em conta. De acordo com Roberto Calderon, um dos fundadores da empresa, quase 5 mil pessoas recorreram ao site, resultando na redução de mais de 1,9 mil parcelas.

A intermediação do Parcela Mais Baixa é gratuita para os consumidores, pois a remuneração da startup é feita pelos fornecedores inscritos, que pagam mensalidades de R$ 49 a R$ 99 para ter acesso às informações enviadas pelo público. A fintech, criada com investimento de R$ 250 mil, também não alcançou ainda o equilíbrio financeiro.

Mas Calderon está otimista. “Com base nos resultados práticos, começamos a avaliar as perspectivas e os próximos passos. Essa coisa de dívida e parcela é muito brasileira. Pegamos um problema nacional e criamos um hub, uma plataforma para ajudar a resolvê-lo”, resume.

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