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CEO de banco precisa adotar cultura da inovação, diz estudo

Qualquer empresa no cenário atual de constante evolução sabe que precisa estimular a inovação, especialmente no setor financeiro, que vem sendo desafiado por mudanças regulatórias e o surgimento das fintechs. Construir novos sistemas ou mesmo comprar rivais mais avançados tecnologicamente é relativamente fácil. Mas como garantir que esse conceito, que pode parecer abstrato, seja de fato abraçado por todos os níveis hierárquicos da empresa?

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CEO de banco precisa adotar cultura da inovação, diz estudo

Para responder a essa pergunta, a consultoria Russell Reynolds realizou uma pesquisa global com executivos e desenvolveu modelos econométricos que usam regressão e análise de correlação para estudar uma base de dados com milhões de informações sobre empresas. O estudo identificou seis pilares essenciais para estimular a inovação: apoio da alta administração; agilidade; captura e análise de dados; engajamento dos empregados; e ambiente de aprendizado.

“Criar uma cultura de inovação é difícil, mas em última instância é o que cria uma vantagem competitiva sustentável”, diz o estudo. A pesquisa aponta que CEOs altamente inovadores tendem a ter um perfil mais diversificado e que, para alguns segmentos do setor financeiro, valeria a pena buscar talentos de outros campos. Esses líderes inovadores se destacam em atributos psicométricos como “pensar fora da caixa”, driblar a burocracia, questionar abordagens tradicionais, ir contra a corrente e ser socialmente confiante.

A pesquisa mostra que, nas empresas mais inovadoras, o CEO “abraça” a causa. Para 48% dessas empresas, o principal responsável pela estratégia digital é o executivo-chefe. Nas empresas menos inovadoras, esse percentual é de 27%. Na sequência aparecem o diretor digital (12% nas empresas mais inovadoras, 15% nas menos) e o diretor de informação (8% e 9%, respectivamente).

Chris Davis, sócio da área de serviços financeiros e digitais da Russell Reynolds, comenta que apesar de o tema da inovação não ser novo, o ritmo atual de mudanças é tão grande que as empresas estão criando estruturas e tentando “colocar alguma ordem no caos”. “Não é exatamente a tecnologia que é o verdadeiro desafio, é a cultura da empresa, como criar uma cultura de inovação. Muito se fala de ‘sistemas legados’, mas também existe uma ‘cultura legada’ que é preciso eliminar para que se possa incentivar a inovação.”

No pilar agilidade, os critérios mais importantes são a capacidade de adaptar processos de maneira dinâmica a mudanças nas condições, tomar decisões rapidamente e alocar com celeridade novos recursos, como pessoal, tecnologia e capital. Para o segmento de bancos comerciais e de varejo, os pilares de captura e análise de dados são especialmente importantes. Esses bancos pontuam acima da média do setor em critérios como dados sobre o comportamento dos clientes, as condições operacionais internas e o ambiente de negócios.

“Aspectos da tecnologia podem criar riscos, mas também há tecnologias que mitigam o risco, e que são muito melhores do que no passado”, diz Davis. Ele aponta que há muito trabalho sendo feito com inteligência artificial e machine learning para prever melhor tentativas de fraude e evitar ataques hackers.

Fernando Machado, sócio e consultor da Russel Reynolds no Brasil, aponta que as fintechs não têm de lidar com sistemas legados, ao contrário dos bancos tradicionais. Estes últimos, por sua vez, ainda possuem uma base de dados muito mais ampla sobre os comportamentos dos consumidores. “Eu não acho que essa seja uma batalha perdida para os bancos tradicionais. No fim, os executivos e empresas que estiverem mais alinhados em termos da agenda de inovação tendem a ser mais competitivos”. Além disso, a consultoria aponta que muitos bancos hoje em dia têm braços de venture capital para comprar ou formar joint ventures com companhias mais inovadoras.

Sobre o papel dos reguladores, o executivo da Russell Reynolds aponta que as autoridades tendem a adotar uma postura defensiva frente às inovações tecnológicas, mas estão acompanhando os tempos. “O melhor que eles podem fazer é tentar não criar muitos empecilhos para empresas que estão liderando a inovação”, diz Davis.

Machado lembra que as autoridades brasileiras veem uma oportunidade de aproveitar os avanços tecnológicos para fomentar a competição em um segmento muito concentrado como o bancário. “As discussões que estamos vendo atualmente sobre open banking, pagamentos instantâneos, sandbox regulatório, mostram que o Banco Central vê isso como uma oportunidade para melhorar a competição.”

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