09h00

Com coronavírus, fundos imobiliários e títulos públicos são opções mais seguras de investimento

Diante da tensão nos mercados causada pela epidemia de coronavírus, os investidores, principalmente aqueles da renda variável, viram seus investimentos sofrerem fortes perdas — em janeiro, o Ibovespa (índice de referência da Bolsa de São Paulo) registrou desvalorização de 1,62%. O dólar, por sua vez, subiu 6,86% no período.

Compartilhe
Tamanho da Fonte
Com coronavírus, fundos imobiliários e títulos públicos são opções mais seguras de investimento

Neste cenário, a recomendação dos analistas para quem está na Bolsa é manter as aplicações, na tentativa de recuperar as perdas. Já quem tem recursos parados e quer investir deve optar por produtos mais conservadores.

Coronavírus: Doença é risco para economia global, dizem analistas. Entenda o impacto no mundo e no Brasil

— No caso das pessoas que estão com dinheiro parado, a recomendação é criar uma boa reserva na renda fixa, para servir de colchão financeiro em momentos de emergência— diz Ana Paola Guetta, sócia-fundadora da Guelt Investimentos.

A carteira para um investidor com perfil moderado deve ter cerca de 45% do dinheiro aplicado em renda fixa, dividindo a quantia entre títulos do Tesouro pós e prefixados, além daqueles atrelados à inflação, aconselha Ana Paola.

Os fundos imobiliários, que têm imóveis físicos (como prédios comerciais, shopping centers, galpões etc.) ou aplicações financeiras do setor (como Letras de Crédito Imobiliário, as LCIs), também são apontados como opções em um cenário de volatilidade.

Veja: Opep fará reunião de emergência para analisar queda nos preços do petróleo devido ao coronavírus

— O retorno mensal recebido nesse investimento, uma espécie de aluguel, pouco sofre alterações. A rentabilidade do valor das cotas do fundo listadas na Bolsa, entretanto, varia. Mesmo assim, é uma aplicação que oferece bons retornos — afirma

Sandra Blanco, consultora de investimentos da Órama.

Retomada beneficia Bolsa

Tido como um ativo de proteção nas carteiras em meio às volatilidades do mercado, o ouro viu sua rentabilidade aumentar 2,95% somente no primeiro mês de 2020. Especialistas ressaltam, no entanto, que este momento de alta não é propício para começar a investir no metal.

— O ouro é importante na carteira, principalmente para mitigar riscos. Entretanto, em momentos de volatilidade, ele sobe, ficando mais caro. Quando os mercados se estabilizarem, a tendência é que ele recue. Assim, o investidor pode ter 5% de seus recursos no mineral — indica Sandra.

Investimentos: O que fazer com suas aplicações diante da turbulência nos mercados?

A queda da Bolsa, que alguns encaram com desespero, também é tida como uma boa oportunidade para entrar no mercado acionário. Afinal, em momentos de baixa, as ações ficam com preços mais atraentes. Mas é preciso ter em mente que este é um investimento de longo prazo.

Apesar das recentes perdas do Ibovespa, os analistas mantêm as perspectivas para um avanço mais robusto da economia brasileira, o que propicia um cenário de ganhos para a renda variável.

— Mesmo em meio à atual volatilidade causada pelo coronavírus, os fundamentos da economia brasileira para este ano continuam positivos. A economia vem dando sinais de que está reaquecendo — diz Gilberto Abreu, diretor de investimentos do Santander. — Esses fundamentos contribuem para ganhos sustentados das empresas listadas na Bolsa.

Leia: Coronavírus: China anuncia injeção de US$ 175 bilhões para estimular economia

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, empresas ligadas a consumo interno, como varejo e construção civil, são boas apostas para este ano, pois devem pegar carona em uma recuperação mais consistente da economia brasileira. Ele também vê perspectivas positivas para o setor de saúde:

— NotreDame, Hapvida e Qualicorp, por exemplo, são companhias de saúde listadas na Bolsa que podem ter bons ganhos, tanto pela melhora nos indicadores de emprego quanto pela inflação sob controle.

No caso de quem já tem investimentos em ações, seja em papéis específicos ou em fundos, os especialistas recomendam não sacar todos os recursos, a fim de evitar perdas irreversíveis.

— O mercado está passando por um período de aversão a risco por conta de um evento sobre o qual ainda se tem poucos detalhes, a disseminação do coronavírus — diz Sandra, da Órama.— Embora as perdas possam ser altas, caso o investidor fique incomodado com os percentuais negativos e retire o dinheiro da Bolsa para alocar em renda fixa, dificilmente recuperará o que foi perdido com a volatilidade do mercado acionário.

Demanda: Fábricas no Brasil aumentam produção de máscaras cirúrgicas para atender chineses

‘A chave é diversificação’

Em 2002, quando a epidemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), também surgida na China, matou quase 800 pessoas, o Ibovespa fechou com queda de 17,01%. No ano seguinte, registrou alta de 97,33%.

Quando estourou a bolha imobiliária nos EUA, em 2008, a perda foi ainda maior: o Ibovespa fechou o ano com tombo de 42,3%. Em 2009, porém, houve recuperação: alta de 86,62%.

— O mercado financeiro é feito de ciclos. Há momentos de crise, mas o resultado negativo não é eterno. O ciclo positivo beneficia principalmente os investidores que sabem esperar — observa Ana Paola.

Míriam Leitão:  Vírus ameaça cadeias globais de produção, e temor é de paralisação longa na China

A sócia da Guelt avalia que uma carteira para proteger o investidor de grandes oscilações, além dos 45% em renda fixa, deve ter 28,5% dos recursos em fundos multimercados e 26,5% em estratégias diferenciadas (como renda variável, ouro ou fundo cambial).

— A chave para mitigar perdas é a diversificação. O maior risco é deixar todo o dinheiro em uma única opção de investimento. É preciso ter a renda fixa para proteção, mas, com os juros baixos, torna-se cada vez mais necessário procurar produtos de renda variável para aumentar os ganhos. Mas sempre fazendo essa mudança com cautela e respeitando seu perfil de investimento — aconselha Sandra, da Órama.

Análise: OMS decreta emergência global, mas tenta proteger economia

Deixe seu comentário
Av. Tancredo Neves, 620 – Caminho das Árvores, Empresarial Mundo Plaza, Salas 1816 a 1820, Salvador – BA, CEP: 41820-021
Fale Conosco
Possuímos uma equipe de atendimento pronta para responder as suas dúvidas e atender todas as suas necessidades. Entre em contato através de nossos telefones.
71 4042-0911
2018 - 2020. GrupoLis. Todos os direitos reservados.
Produzido por: Click Interativo - Agência Digital