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Banco vê redução de custo com pagamento instantâneo

Os bancos brasileiros estão otimistas com a adoção de um sistema de pagamentos instantâneos no país, apesar da perda de receita que terão em algumas áreas de negócios. O modelo em desenvolvimento pelo Banco Central (BC) vai permitir que, a um custo muito baixo para o usuário, sejam feitas transferências diretas entre pessoas ou empresas, 24 horas por dia, sete dias por semana. A meta é que as operações sejam liquidadas em cerca de dez segundos, com tarifa regulada pelo próprio mercado. Dessa forma, o sistema tem potencial para substituir operações como TED, DOC e pagamentos com cartões de débito - que são mais caras ou para o consumidor, ou para o lojista.

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Banco vê redução de custo com pagamento instantâneo

Em jogo, estão R$ 8 trilhões em transferências no sistema bancário tradicional e R$ 666 bilhões em transações com cartões de débito nas maquininhas - dados projetados para 2019. As informações são da Federação Brasileira de Bancos (Febrabran) e da Associação Brasileira das Empresas de Cartões (Abecs).

Apesar disso, os grandes bancos brasileiros têm muito interesse na nova tecnologia. A perspectiva de redução de custos é maior que a perda esperada de receitas. Segundo uma fonte graduada do setor, os pagamentos instantâneos são uma oportunidade de diminuir principalmente gastos com a logística do dinheiro em espécie - que, de acordo com dados da Febraban, somam R$ 10 bilhões por ano, sem incluir despesas relacionadas a segurança. “Tem possibilidade de redução de receitas para a indústria bancária, mas também tem um potencial de redução de custos enorme”, afirma esse interlocutor, que preferiu não ser identificado.

Fabrício Winter, líder de projetos da Boanerges & Cia, afirma que outro motivo para as instituições financeiras incentivarem o pagamento instantâneo é que o cartão de débito se tornou um produto mais difícil de rentabilizar. Em 2018, o BC definiu um teto para as tarifas de intercâmbio da modalidade. O intercâmbio é a parcela da taxa paga pelos lojistas para o adquirente que remunera os emissores. O objetivo do regulador, na época, era disseminar o uso do débito, o que não aconteceu na escala esperada.

Na média, a taxa fixa que os lojistas pagam a cada transação para remunerar bandeiras, emissores e adquirentes está em 1,2% no débito após as mudanças, enquanto no crédito é de 2,5%, segundo a consultoria.

No sistema de pagamentos instantâneos, ainda está em discussão qual vai ser a tarifação do usuário final e se haverá gratuidade em algumas situações. No entanto, a expectativa do BC é que esse preço seja baixo. “Vai ser um ambiente competitivo, não só com bancos, mas com instituições de pagamentos, fintechs e big techs, o que tende a levar as tarifas para muito perto de zero”, afirma Breno Santana Lobo, assessor sênior de operações bancárias e de pagamentos do BC.

Da mesma forma, o regulador só vai cobrar das instituições participantes o suficiente para repor os custos de operação, diz Carlos Eduardo Brandt, chefe adjunto do Departamento de Operações Bancárias e de Pagamentos do BC. O regulador está usando recursos do próprio orçamento para montar a plataforma.

Segundo uma fonte do setor bancário, para realmente ter impacto no mercado, a plataforma de pagamentos instantâneos deve operar acima de R$ 1 bilhão por ano, tendo em vista os investimentos em tecnologia que serão feitos pelo setor.

O Valor apurou que a Febraban, representante dos maiores bancos, tem se empenhado nas discussões com o BC e defende que o sistema de pagamentos instantâneos entre em operação o quanto antes. Além da redução de custos, os pagamentos instantâneos vão permitir que a movimentação financeira seja feita sem a limitação de horário que existe atualmente.

O Banco Central planeja colocar a primeira etapa do sistema em funcionamento no segundo semestre deste ano: a iniciação dos pagamentos com QR Code, a base de endereçamento dos usuários e o que vem sendo chamado de “input direto”, um híbrido entre o modelo atual de TEDs e a nova tecnologia. Mas, antes disso, a proposta do regulador será submetida a consulta pública e serão criadas uma marca e uma identidade visual para os pagamentos instantâneos, afirma Brandt, do BC.

No sistema que está sendo desenhado, o próprio regulador ficará responsável por liquidar as operações. O Banco Central também centralizará a base de dados de endereçamento, ou seja, a identificação de cada cliente e conta. As pessoas poderão, a seu critério, atribuir número de celular como sua identidade em uma conta, e-mail em outra, CPF em outra etc.

Bancos, fintechs e instituições de pagamentos terão de se conectar a essa plataforma para participar do sistema, de forma que haja interoperabilidade entre elas. Essa participação poderá se dar de duas formas. As maiores empresas do setor serão obrigadas a se conectar diretamente ao BC e manter contas de reserva no sistema. As demais terão a opção de ser participantes indiretos e se plugar à plataforma por meio de um banco, sem ter a necessidade de manter essas reservas.

As contas de reserva servirão para dar fluidez às transações, que terão de ser concluídas em poucos segundos. Porém, não haverá no sistema a figura de um garantidor das operações, como as bandeiras fazem nos pagamentos com cartões. “Se não tiver saldo, a transação não é autorizada”, afirma Lobo. “Não precisa de alguém que garanta a transação porque a liquidação se dará em poucos segundos.”

Sem papel definido no sistema em desenvolvimento pelo Banco Central, as empresas ligadas ao segmento de cartões estão criando seu próprio modelo de pagamentos instantâneos. A expectativa é que ele entre em funcionamento no fim do primeiro semestre.

“Vamos aproveitar a capacidade que o setor já tem instalada”, afirma Percival Jabobá, coordenador do comitê de transformação digital da Abecs e vice-presidente da Visa.

Na prática, isso fará com que haja pelo menos dois sistemas de pagamentos instantâneos no país: o do BC e o dos cartões, além das plataformas fechadas de bancos e instituições de pagamentos. No ano passado, o Itaú Unibanco lançou o “iti”, disponibilizado ao público em geral desde outubro. Os usuários não pagam por pagamentos ou transferências.

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